
Livro e Leitura
Retratos da leitura no Brasil
A segunda edição da pesquisa Retratos da Leitura do Brasil, divulgada em 2008, foi realizada com 311 municípios e 27 universidades federativas e atingiu 92% da população, acima dos 5 anos de idade.
A pesquisa baseia-se, apenas, na declaração dos entrevistados diante das perguntas formuladas. Para tanto, foi considerado leitor quem declarou ter lido pelo menos 1 livro nos últimos 3 meses (55%); e não leitor, aquele que não tenha lido ao menos 1 livro nos últimos 3 meses.
O perfil demográfico da amostra revela alguns pontos: 85% passaram a maior parte da vida escolar em um escola pública e 61% cursaram faculdade privada; os entrevistados, na maioria, pertencem à classe C (39%) e D (42%).
Com relação ao significado da leitura para as pessoas, resposta espontânea e única, “Conhecimento” empata com “Não sabe ou não opinou”, com 26%. É alarmante pensar que a leitura tem significado positivo para 3 em cada 4 brasileiros, ao mesmo tempo que uma em cada 4 pessoas não tem ideia do papel da leitura.
Ela ocupa o 5º lugar na escolha dos brasileiros com relação a ocupação do tempo livre, com 35%. Vale dizer que esta preferência cresce com a renda e a escolaridade: 48% no ensino médio e 64% no superior, e, entre aqueles com renda acima de 10 salários mínimos, o índice sobe para 67%.
Prazer, gosto ou necessidade espontânea correspondem a 63% da motivação dos leitores para ler um livro, contra exigência escolar ou acadêmica, com 43%.
Esta pesquisa também revelou que o Brasil lê 4,7 livros por habitante/ano, considerando que apenas 1,3 livro por habitante/ano corresponde a leituras espontâneas ou não obrigatórias. A leitura obrigatória, que ocorre no espaço acadêmico, é fundamental no incentivo à leitura, pois pode despertar nos estudantes o prazer de ler: quem está na escola lê mais.
O link abaixo apresenta uma excelente análise sobre os resultados desta pesquisa, da professora Maria Antonieta da Cunha, da UFMG e da PUC-MG. Para conhecer ainda mais os dados da pesquisa, acesse o site do Instituto Pró-Livro, www.institutoprolivro.org.br.
Retratos da leitura no Brasil, de Maria Antonieta da Cunha
Nestas primeiras observações, vale registrar que muitos dados desta pesquisa confirmam os da anterior (2000), mas apresentam algumas boas surpresas. A maior, sem dúvida, é o crescimento do índice de leitura. Outra boa surpresa – que demanda uma boa discussão de vários setores ligados à leitura e, em especial, as editoras – é a posição de relevo da poesia em praticamente todas as análises. Considerando os estados, por exemplo, a poesia chega a superar até os livros religiosos na preferência dos entrevistados. No entanto, parece haver certa dificuldade para a publicação do gênero.
Esse avanço geral revelado em 2007 é resultado do esforço de muitos e evidencia que, atuando em qualquer ponto da cadeia da leitura, estamos todos evoluindo. Isso diz respeito a autores, ilustradores, editoras, divulgadores, livrarias, mediadores de leitura (dentro ou fora de escolas e bibliotecas), pesquisadores, gestores (do poder público ou não), encarregados da definição de uma política de leitura para o país. É certo que, ao fazermos o melhor, no nosso raio de ação, estamos colaborando para que essa evolução continue.
Mas acredito também que todos tenham a convicção de que há muito chão pela frente, até considerarmos atingidos os níveis mais decentes de leitura para cada cidadão brasileiro. E essa convicção é sinal de que o melhor que fazemos ainda é insuficiente e que é necessário reforçar uma ação como o termo “cadeia” sugere: um trabalho pensado, planejado e executado de maneira parceira, uma ação integrada, tendo sempre como alvo esse bem comum que nos une: a promoção da leitura.
Há uma grande, enorme fatia da população que não conhece os materiais de leitura, ou conhece muito mal. Há um claríssimo problema de acesso aos materiais de leitura, especialmente ao livro. Mesmo tendo-os por perto, falta a descoberta, a volta na chave que faz a súbita ligação e torna o sujeito capturado para a leitura. Ele não descobriu a senha. Por isso mesmo, à frente da leitura (5º ou 4º lugar, conforme o enfoque), depois apenas de ver televisão, ouvir música e (às vezes) ouvir rádio, os entrevistados (mesmo os mais novos) afirmam preferir ocupar seu tempo livre... descansando!!! Ao mesmo tempo, a falta de tempo (com índices de às vezes mais de 50%) é a alegação mais comum dos entrevistados, em várias respostas, para tentar justificar o não envolvimento com a leitura. Voltarei a esse dado mais adiante.
Consideremos, agora, os não-leitores, apontados pela pesquisa. São considerados não-alfabetizados 16% da amostra. Declaram-se não-leitores 48% (não leram um livro nos três meses anteriores à pesquisa). Essa proporção desce para 45% se forem considerados os que não leram um livro no ano anterior. 33% dos não-leitores são analfabetos e 37% têm até a 4ª série, faixa em que as práticas de leitura ainda não estão consolidadas.
A maior parcela de não-leitores está entre os adultos: 30 a 39 (15%), 40 a 49 (15%), 50 a 59 (13%) e 60 a 69 (11%). O número de não-leitores diminui de acordo com a renda familiar e de acordo com a classe social. Quase não há não-leitores na classe A e há apenas 1% de não-leitores quando a renda familiar é de mais de 10 salários mínimos. Isso pode levar à conclusão de que o poder aquisitivo é significativo para a constituição de leitores assíduos.
As dificuldades de leitura declaradas configuram um quadro de má formação das habilidades necessárias à leitura, o que pode decorrer da fragilidade do processo educacional: leem muito devagar: 17%; não compreendem o que leem: 7%; não têm paciência para ler: 11%; não têm concentração: 7%. Todos esses problemas dizem respeito a habilidades que são formadas no processo educacional. Esses dados somam 42% do universo pesquisado. Para superar essas dificuldades, seria necessário um esforço significativo por parte do poder público na formação e aperfeiçoamento de professores de língua portuguesa e mediadores de leitura.
As alegações para a ausência de leitura no ano anterior à pesquisa evidenciam problemas de várias ordens: falta de tempo: 54%; outras preferências: 34%; desinteresse: 19%; falta de dinheiro: 18%; falta de bibliotecas: 15%. Assim, 33% das alegações dizem respeito à falta de acesso real ao livro e 53% dizem respeito ao desinteresse pela leitura. Se considerarmos a falta de tempo uma questão de opção na organização da agenda pessoal, o índice de desinteresse pela leitura cresce muito.
Tais informações parecem configurar um ambiente em que a leitura não é socialmente valorizada, em que o livro não tem um lugar assegurado. Tanto é que 86% dos não-leitores nunca foram presenteados com livros na infância, enquanto no universo dos considerados leitores esse índice cai para 48%. Outra informação importante diz respeito às práticas familiares de leitura. Nos lares dos não-leitores, 55% nunca viram os pais lendo _ informação fundamental se considerarmos que a maior influência para a formação da leitura vem dos pais (principalmente das mães). No entanto, dado o quadro de que os pais dos entrevistados não têm instrução nenhuma (23 %), cursaram até a 4ª série do ensino fundamental (23%) ou têm fundamental incompleto (15%), enquanto as mães sem qualquer escolaridade são 26%, 22% fizeram até a 4ª série e 16% têm fundamental incompleto, torna-se muito difícil a inculcação pela família do valor da leitura.
Os dados da pesquisa confirmam a necessária e estreita relação entre leitura e educação e, objetivamente, com a escola, primeira encarregada da alfabetização e do letramento. Esse vínculo natural torna-se imperativo num país com as desigualdades sociais nos níveis existentes em nosso país, onde a família não exerce o papel de primeira e mais importante definidora do valor da leitura.
Por isso, apesar de não ter um enfoque específico, a escola é elemento constante, às vezes apenas subjacente, ao longo da pesquisa, e confirma-se a responsabilidade que recai sobre a escola (embora não só sobre ela) na tarefa de reverter o índice de não-leitores no Brasil, por meio de programas de alfabetização de jovens e adultos, e pelo investimento a curto prazo e maior na valorização social da leitura e do livro e no aperfeiçoamento do processo educacional.
Muitos entrevistados afirmam que não leem ou não vão a bibliotecas porque “não estão estudando”, o que mostra a ligação da leitura com a escola, ou com “os estudos”, na percepção das pessoas. O uso da biblioteca pública parece também feito em função da escola: sua frequência cresce (34%) nas faixas etárias de 5 a 17 anos, e tem como objetivos principais pesquisar e estudar. E com relação à frequência da leitura de diferentes tipos de livros, os didáticos e universitários são os únicos lidos mais frequentemente (70%) que ocasionalmente (30%).
Por outro lado, é clara a progressiva valorização da leitura, à medida que avança a escolarização dos entrevistados: em todos os suportes (livro, revista, jornal e internet), o ensino superior define um índice maior de leitura: os entrevistados com esse nível de ensino leem muito mais que a média livros técnicos (35%), obras sobre História, Política e Ciências Sociais (37%), Ensaios e Humanidades (15%), Biografias (30%), e usam muito mais a internet (31%). (A lastimar o ainda difícil de controlar uso da reprografia, usada pelos entrevistados de curso superior em 19%, muito acima também da média.).
Poderíamos pensar num uso puramente “prático”, exigido pelos estudos universitários, mas esses entrevistados mostram-se mais espontaneamente dispostos à leitura. Enquanto homens afirmam gostar da leitura muito (33%), um pouco (50%) e não gostar (16%), as mulheres, muito (45%), um pouco (44%) e não gostar (11%), no curso superior, sem indicação de sexo, a pesquisa aponta para: gostar muito: 61% , um pouco: 30%, não gostar: 9%.
Todos os dados apontam, portanto, para a necessidade de a escola assumir verdadeiramente seu papel de formadora de leitores, intensificando sua ação em todas as direções que se relacionam com o gosto pela leitura. Seria importante um mutirão que, a curto prazo, ajudasse esses profissionais/educadores a, eles próprios, descobrirem a tal senha, e/ou se aperfeiçoassem com mediadores de leitura. Em todas as instâncias de governo, mas também nas escolas privadas de ensino superior, é essencial iniciar ou ampliar ações de disseminação (ou apoio) de cursos, em vários níveis, de formação de gestores para a leitura, cursos de educação continuada com uma carga horária expressiva na área da leitura e da literatura, produção e, sobretudo, divulgação e aquisição de obras técnicas e de pesquisa sobre o assunto para esses profissionais.
Visto que, a não ser entre os entrevistados que fizeram ou fazem estudos universitários, a leitura decresce muito entre os adultos, podemos supor que a escola não tem formado leitores para a vida inteira, talvez por práticas pouco sedutoras e obrigatórias, das quais o não estudante procura se livrar assim que ultrapassa os limites da escola. Parecem necessárias ações de promoção da leitura que a liguem verdadeiramente à vida e tornem os materiais de leitura mais próximos dos alunos. Para tanto, ultrapassar os muros da escola, visitar de forma planejada, consequente e prazerosa ambientes onde se criam jornais, revistas e livros, conversar com os atores de cada uma das cadeias de criação e produção desses materiais, conhecer sites que enfocam a leitura, ir a feiras parecem ações que ajudam a inserir a leitura no universo dos sujeitos, sobretudo dos mais novos. Não é sem razão que os entrevistados do Rio Grande do Sul e do Pará informam comprar muitos livros em feiras: é reconhecida a importância das feiras de livros de Porto Alegre e de Belém.
Com relação aos dados levantados sobre o uso de bibliotecas, a pesquisa mostra que muitos dos entrevistados nem sequer conhecem esse equipamento no bairro ou na cidade. Segundo informação de 2005 do Ministério da Cultura _ e a situação, hoje, já é mais favorável _ quase 90% dos municípios brasileiros têm pelo menos uma biblioteca. No entanto, apenas 66% dos entrevistados confirmam isso. A essa desinformação, soma-se a incômoda indicação de que apenas 10% dos entrevistados frequentam assiduamente tal espaço. A porcentagem geral de 75% de não usuários de bibliotecas sobe ainda mais, quando são consideradas as respostas dos acima de 39 anos, confirmando a já comentada ideia de que leitura é para quem estuda (isso mesmo se observa nas pequenas cidades, o que será comentado mais adiante).
Em alguns estados, aliás, a biblioteca escolar é mais frequentada do que a pública. É o que ocorre no Pará, Espírito Santo, Paraná, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Tais dados explicam o fato de que apenas um número reduzido de usuários (10%) vá à biblioteca para ler por prazer e muito poucos (2%) aproveitem (ou tenham) outras atividades nesse espaço. Por outro lado, apenas 7% dos entrevistados empregados afirmam que a empresa onde trabalham possui biblioteca ou hemeroteca – o que deveria merecer uma ação efetiva de conscientização sobre o valor da leitura para o crescimento da própria firma.
É importante sublinhar que os 10% de frequentadores assíduos das bibliotecas estão muito satisfeitos com os serviços por elas prestados, em torno dos quais há uma quase unanimidade: a esmagadora maioria (predominantemente acima de 90%) diz gostar muito da biblioteca, ser atendida por bibliotecários (que saberão a esse respeito?), ser bem atendida e ser orientada quanto à indicação de obras, e nela encontrar todos os livros que procura.
Sobre essa aceitação e conhecendo razoavelmente esses espaços, cabem-nos algumas indagações, sobre o próprio conceito de biblioteca e sobre o nível de exigência e expectativas dos entrevistados quanto ao que pode ou deve ser um espaço como esse. Mas essas respostas só serão obtidas com outra pesquisa, que certamente virá.
De todo modo, é evidente que também as bibliotecas, mesmo tais como são, precisam buscar leitores, seja por algum tipo de promoção (também elas indo além de suas paredes), seja por uma ampliação de seu caráter, tornando-se mais próximas da atuação de centros culturais, onde esteja, sobretudo, o livro, mas todos os suportes de leitura (inclusive a internet, como vêm procurando projetos do MinC), além de outras manifestações culturais e artísticas – tudo isso que se configura, nos tempos atuais, como formas também importantes de leitura.
Sabemos que a alegada falta de tempo para frequentar bibliotecas e para ler (seja o que for) abrange ou encobre uma série de sentimentos e posições: por exemplo, o desinteresse e as prioridades de cada um (entre as quais, obviamente, não está a leitura), além da eventual sobrecarga de trabalho e obrigações. A estes e mais aos que se queixam do difícil acesso a bibliotecas, precisamos oferecer facilidades especiais, como apoiar e multiplicar os projetos que se baseiem no deslocamento de materiais de leitura para pontos estratégicos, que vão do metrô e dos ônibus (nas regiões metropolitanas, especialmente Rio de Janeiro e São Paulo, 7% dos entrevistados leem no trânsito) a praças, jardins, hospitais, prisões, centros esportivos, empresas, residências particulares. É preciso também divulgar e apoiar, das mais diversas formas, inclusive financeiramente, quando possível, as incontáveis iniciativas vitoriosas de promoção de leitura (a Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil e o Prêmio Vivaleitura, com âmbitos diferentes, premiam projetos desse tipo).
Há, também, os que reclamam com razão da falta de “pontos de venda”. É fundamental, para resolver esse que é um dos grandes problemas da leitura, criar ações de apoio à criação e à manutenção de livrarias. Mesmo para os leitores “automotivados” e os entrevistados de alto poder aquisitivo, os pontos de venda dos materiais de leitura, especialmente de livros, são reconhecidamente insignificantes. Estão tão fora do universo das cidades brasileiras, que essa inexistência é raramente percebida pela população. Não acredito que a venda pela internet (hoje, em torno de 2%) chegará tão cedo à maioria da população brasileira e que, chegando, suprirá a necessidade da livraria “física”. Precisaremos de muito tempo para convencer o leitor de que não tem sentido andar pelas estantes e mesas das livrarias, folheando revistas e livros, procurando não o que conhece e foi comprar, mas algo novo, surpreendente, que vá preencher umas quantas horas de seu dia, ou da sua noite (e esse leitor existe, e essas livrarias podem existir!).
Todas as dificuldades, no campo da leitura, vêm agravadas nas cidades de pequeno porte, com até 10.000 habitantes (e, em certa medida, nas chamadas “do interior”). Segundo a pesquisa em foco, os habitantes dessas cidades são: a) os que menos leem (revistas, 46%; livros, 37%); b) os que menos gostam de ler (59%, chegando a 76%, entre os mais idosos); c) os que menos dizem escolher livros e indicam autores; d) os que menos frequentam bibliotecas (83%); e) os que menos têm acesso à internet; e) os que menos compram livros (71%), mesmo os didáticos (85%).
Da mesma forma, de acordo com a pesquisa, as regiões Nordeste e Norte apresentam mais problemas de leitura.
É óbvio que tais cidades e regiões exigem de toda a cadeia do livro um esforço conjunto maior para a superação dessas dificuldades. Com relação ao poder público, o MEC tem programas voltados para essas regiões e mais o Centro-Oeste. O MinC, por sua vez, defende repetidas vezes em seu Plano Nacional de Cultura a criação de programas que superem os problemas regionais e locais. Seria importante que, a curto prazo, fossem executados, com a colaboração das entidades representativas do segmento do livro e de outros atores, projetos de leitura para essas cidades e regiões.
Como ações que, com boa vontade, poderiam ser implantadas rapidamente e ajudar a melhorar o reconhecimento da leitura, sempre levando em consideração os dados fornecidos pela pesquisa, seria interessante propor:
a) Como a televisão (1º lugar, com a média de 78%) e o rádio (4º lugar, média de 39%) são atividades muito frequentes na vida do brasileiro, seria importante, a curto prazo, multiplicar, nos veículos do poder público, e apoiar (com incentivos fiscais, mesmo!), nos privados, bons programas de promoção de leitura, dos mais variados formatos. Nesses programas, um enfoque importante seria a percepção da leitura como lazer (ou “descanso”).
b) Um dado que não me parece desprezível é o fato de que um número razoável dos entrevistados se diz sensível, na escolha da leitura, a influências. Um dos fatores que mais os influenciam nessa escolha é a ”dica” de alguém, além de levarem em conta críticas e resenhas e a publicidade. Parece-me que teriam bons resultados publicidades e campanhas que, em vez de apresentar ideias “generalistas” e abstratas sobre a leitura (Ler é a melhor das viagens, Ler é saber e outras que tais), enfocassem obras e seus autores. (Lembre-se que o tema, o título, a capa e os autores, nessa ordem, são poderosos vendedores de livro).
Deixei para o final um dado da pesquisa que tem a ver com este último item tratado e que me enche de otimismo: na pergunta sobre quem mais influenciou o entrevistado no seu gosto pela leitura, a resposta “ninguém” vem sendo cada vez menos acionada pelos mais jovens: de 34% entre os mais velhos, a opção vai decrescendo até os mais novos, para os quais ela chega a apenas 5%. E, pelo menos na memória dos entrevistados, os professores atualmente leem mais para seus alunos – o que é uma espécie de “dica”.
Esse dado aparentemente insignificante tem, para mim, uma força especial: dando à leitura seu caráter essencialmente cultural e histórico, criada pela capacidade inventiva do ser humano, apoiada no traço mais revelador da nossa humanidade – a palavra – e promovendo o diálogo que a leitura sempre pretende, essas “dicas” nos garantem que aquela senha sempre pode ser, a qualquer momento, descoberta.
O texto contém análises, especialmente sobre a questão dos não-leitores, feitas pela professora Lucilia Garcez, da Universidade de Brasília (UnB).
Fonte: Brasil que Lê - Agência de Notícias